sexta-feira, 21 de março de 2008

“A Teologia Esta Acabando Com As Igrejas” *Crentes Com Memória de Peixe!

Tenho observado que nesses últimos dias da Igreja na Terra, muitos pregadores têm feito ataques à teologia sem, no entanto, nenhum conhecimento prévio do que seja a mesma. Esses “pregadores” têm depreciado publicamente a teologia, desvalorizando-a falaciosamente. (Lembrando que não tenho nada contra a pessoa de nenhum desses pregadores, no entanto, isso não me obriga a concordar com as suas premissas infundadas).
A pergunta é: será que a teologia verdadeiramente não tem valor algum? Será que podemos criticar a Hermenêutica, Exegese, Homilética, sem ao menos conhecer essas disciplinas? Será que o estudo teológico só é útil para promover discussões a respeito de doutrinas?
Quero, destarte, neste artigo, contestar veementemente a opinião desses pregadores supracitados através de alguns argumentos, senão vejamos:

1) A palavra teologia é um vocábulo composto por duas palavras gregas: Theos, traduzida por Deus, e logos, traduzida por tratado ou estudo. Portanto, teologia é o estudo de Deus, ou o estudo das coisas referentes a Deus de forma sistemática. Esse estudo pode ser feito através de uma instituição confiável ou ainda de forma autodidata, desde que haja respeito pela ortodoxia.
No entanto há uma exorbitante diferença entre a falsa teologia e a genuína teologia, isso está no âmbito da exegese. Os falsos teólogos não se preocupam com as leis da hermenêutica confiável interpretando versículos fora de seu contexto. Ora, sabemos que se desprezarmos o contexto, a Bíblia como um todo, cometeremos erros de interpretação, afirmando o que na verdade a Bíblia não diz.

2) O caro leitor sabe ler ou escrever na língua grega ou hebraica? Não? Ora, nem você, nem eu, e possivelmente 99% dos cristãos não sabem. Todavia, a Bíblia foi escrita nessas línguas (com exceção de alguns trechos veterotestamentários escritos em Aramaico).
Podemos constatar, portanto, que não foi como num passe de mágica que a Bíblia chegou às nossas mãos, completamente traduzida na nossa língua materna, é exatamente aí que entra o papel exercido pelos teólogos. Vejamos:

A Septuaginta - Septuaginta é o nome de uma tradução da Torá, (Antigo Testamento) para o idioma grego, feita no século III a.C.. Ela foi encomendada por Ptolomeu II (287 a.C.-247 a.C.), rei do Egito, para ilustrar a recém inaugurada Biblioteca de Alexandria.
A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta dois rabinos trabalharam nela.
A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.
“A versão da Septuaginta foi de grande valia para a difusão das Escrituras, porque o grego, desde a conquista do mundo por Alexandre, passou a ser a principal língua da cultura, dando origem até a uma nova cultura, que mesclaria elementos do Ocidente e do Oriente, o chamado "helenismo" ou "cultura helenística". A versão das Escrituras para o grego, também, foi de fundamental importância para a manutenção da unidade cultural e religiosa entre os judeus da diáspora (ou seja, os judeus que não habitavam na Palestina, que não retornaram ao término do cativeiro da Babilônia ou que passaram a emigrar da Terra Santa ao longo dos séculos depois do cativeiro, formando grandes colônias, notadamente na Babilônia e em Alexandria, cidade fundada no Egito por Alexandre Magno e que, desde o seu nascimento, possuía uma grande colônia judaica e que se constituiu no principal centro cultural helenístico. São estes judeus que o Novo Testamento chama de "gregos" em Jo.12:20 e At.6:1) e os judeus da Palestina, pois permitiu que estes judeus mantivessem o conhecimento das Escrituras e a perpetuação da prática religioso-devocional, impedindo que fossem assimilados pela cultura gentílica. Vemos, portanto, que, na tradução das Escrituras para o grego, Deus estava, também, providenciando para que a nação judaica se mantivesse através dos séculos.”(CARAMURU AFONSO).
Será então que estes setenta e dois rabinos eram analfabetos? De maneira nenhuma, eles eram teólogos, estudiosos e por isso confeccionaram essa versão para benefício da nação judaica.

Vulgata Latina - “Ganhou, também, importância, sobretudo para o Ocidente, a tradução do Antigo Testamento para o latim, a língua falada pelos romanos, no século III d.C., obra levada a efeito por Jerônimo, a pedido do bispo de Roma, que deu origem à versão conhecida como "Vulgata Latina", que é o texto oficial da Igreja Romana. Jerônimo baseou-se em textos hebraicos, gregos e latinos para realizar a sua obra que, a princípio, não contava com os chamados "livros deuterocanônicos", que foram incluídos, contra a sua vontade, por ordem do bispo romano. O texto da Vulgata, por ser o texto oficial da Igreja Romana, foi a base do estudo das Escrituras até o final da Idade Média.” (CARAMURU AFONSO).
Portanto, Jerônimo também foi um teólogo que beneficiou a Igreja traduzindo a Bíblia para o Latim.

João Ferreira de Almeida - Conhecido pela autoria de uma das mais lidas traduções da Bíblia em português, ele teve uma vida movimentada e morreu sem terminar a tarefa que abraçou ainda muito jovem. Entre a grande maioria dos evangélicos do Brasil, o nome de João Ferreira de Almeida está intimamente ligado às Escrituras Sagradas. Afinal, é ele o autor (ainda que não o único) da tradução da Bíblia mais usada e apreciada pelos protestantes brasileiros. Disponível aqui em duas versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil - a Edição Revista e Corrigida e a Edição Revista e Atualizada - a tradução de Almeida é a preferida de mais de 60% dos leitores evangélicos das Escrituras no País, segundo pesquisa promovida por A Bíblia no Brasil.
Conversão - Ao velejar entre Batávia e Malaca, na Malásia, Almeida leu um folheto protestante, em espanhol, intitulado "Diferencias de la Cristandad" (Diferenças da Cristandade). Este panfleto atacava algumas das doutrinas e conceitos católicos, incluindo a utilização de línguas incompreensíveis para o povo comum, tal como o latim, durante os ofícios religiosos. Isto provocou um grande impacto em Almeida sendo que, ao chegar a Malaca, converteu-se à Igreja Reformada Holandesa (tem gente que ainda diz que folheto apologetico é inútil), em 1642, e dedicou-se imediatamente à tradução de trechos dos Evangelhos, do castelhano para o português.
Fica evidente que Deus usou o teólogo Almeida para que a sua Palavra chegasse até nós, se assim não fora estaríamos ignorantes em relação ao evengelho de Cristo e consequentemente sem salvação.

3) Divisão da Bíblia em Capítulos - Você sabia que a Bíblia originalmente não tem divisão de capítulos? Seria muito difícil achar uma passagem sem esse auxílio não é?
Ora, mais uma vez aparece um teólogo em cena, Stephen Langhton, Bispo de Canterbury, na Inglaterra, e professor da Universidade de Paris, França, foi quem Deus usou para dividir a Bíblia em capitulos, isso no século XIII (1234/1242).

4) Divisão da Bíblia em Versículos - A divisão do Antigo Testamento em versículos foi estabelecida por estudiosos judeus das Escrituras Sagradas, chamados de massoretas. Com hábitos monásticos e ascéticos, os massoretas dedicavam suas vidas à recitação e cópia das Escrituras, bem como à formulação da gramática hebraica e técnicas didáticas de ensino do texto bíblico. Foram eles que, entre os séculos IX e X primeiro dividiram o texto hebraico (do Antigo Testamento) em versículos. Influenciado pelo trabalho dos massoretas no Antigo Testamento, um impressor francês chamado Robert d’Etiénne, dividiu o Novo Testamento em versículos no ano de 1551. D’Etiénne morava então em Gênova, na Itália.

5) A Reforma Protestante - O mundo era dominado pelo catolicismo romano, a igreja romana e o Estado eram unificados, não existia até então outra denominação cristã. A igreja católica arbitrariamente impunha seus dogmas espúrios e trancafiava a Bíblia em uma língua que só os doutos poderiam entender.
É nesse contexto que Deus levanta um teólogo chamado Martinho Lutero, um homem extremamente letrado que não se conforma com as indulgências e outras aberrações católicas e confecciona 95 teses contra os ensinos católicos. Iniciava-se o protestantismo. E, é devido a isso, caro leitor, que estamos livres hoje do domínio católico.
Em resumo podemos dizer que Deus usou três teólogos para reformar a Igreja: Martinho Lutero, João Calvino e John Knox, por isso, seria uma loucura criticarmos a teologia, visto Deus ter usado esses teólogos para reformar a Igreja!


6) Na Apologetica - A teologia é extremamente importante na apologetica. Como responderíamos a determinadas questões sem o auxílio da teologia?
Perguntas sobre os nosso dogmas: O que é Trindade e de onde surgiu esse Termo? Quais são as escolas escatológicas e quando surgiram? Por que a Bíblia é a única regra de Fé? Como se formou cânon Bíblico? Qual é a diferença entre a doutrina da Predestinação e a do Livre Arbítrio? Quais os cinco pontos do Calvinismo? Quais os cinco pontos do Arminianismo? Entre outras questões.
Perguntas sobre as seitas e heresias: O que é a doutrina da Maldição Hereditária e como refutá-la biblicamente? Em que consiste as doutrinas dos mórmons, espíritas, testemunhas de Jeová, adventistas, entre outras heresias e seitas.
Como podemos ver para saber sobre nossos dogmas e sobre as doutrinas espúrias e, mais que isso, saber refutá-las, necessitamos, sem dúvida do auxílio teológico.

Considerações Finais
Destarte, diante desses poucos argumentos, não consigo compreender como alguns crentes e obreiros desavisados têm coragem de criticar o ensino teológico.
Como disse um grande pastor amigo meu: “Quem crítica os teologos é como aquele que morando em uma casa feita por predreiros considera essa profissão inútil”.
Essas pessoas deveriam no mínimo abrir mão dos recursos teológicos que utilizam. Sendo assim, por exemplo, poderiam abrir mão de qualquer tradução de Almeida, pois foram feitas por teologos, deveriam ler a Bíblia no original sem versículos ou capítulos, pois estes recursos foram adicionados por teologos, deveriam deixar de se autodenominarem Protestantes (inclusive tirar esse título do orkut), visto que a reforma foi feita por teologos, deveriam deixar de usar as revistas de Escola Bíblica, pois foram elaboradas por teologos, deveriam deixar de usar concordancias, dicionários bíblicos, manuais bíblicos, Bíblias de estudo... Em fim, isso só para não soarem tão hipócritas.
Deixemos, portanto, de ser dissimulados e comecemos a estudar a Palavra diligentemente para assim seguirmos o conselho bíblico:

I Pe 3.15
Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm.
*Só para lembrar, segundo alguns estudos, a memória mais curta do reino é animal é a dos peixes!

4 comentários:

james disse...

A Paz do Senhor,
irmão Maciel Melo

De grande reflexão o texto histórico em que relata sobre os diversos e valorosos teólogos do passado, entretanto, o que podemos ver na atualidade é um grande número de “teólogos” de plantão que distorcem as Sagradas Escrituras com suas pregações ilimitadas e fora do contexto bíblico. Não é a teologia em si que está acabando com as igrejas, mas estes homens pseudo-teólogos, amantes de si mesmos, buscando para eles a glória do SENHOR.

Deus o abençoe ricamente.

James.
www.jesusmaioramor.blogspot.com

Maciel Melo disse...

Caro James,
Primeiramente obrigado por participar desse Blog.
Realmente você está certo quando diz que quem está atrapalhando a Igreja são os Pseudo-teólogos.
Que Deus te abençõe, abraços!

irmão iurd cajati disse...

Concordo plenamente...

O que seria das igrejas do Brasil sem os teólogos. Temos que ter o cuidado e ficar atentos as teologias "baratas", sem qualquer fundamento bíblico, que se baseiam em textos isolados da Palavra de Deus.

Edson Dorna disse...

belo comentário... esse blog estará insirido no meu blog...
que Deus abençoe a sua vida!

Edson Dorna
www.santodosantos.blogspot.com